domingo, 24 de julho de 2016

Atividade para aula 25.7 (noturno) e 29.7 (matutino)

Baseado no filme Quilombo OU no documentário Nem caroço nem casca  explore a "zona não visível" dos filmes de acordo com a teoria de Marc Ferro fazendo uma relação com as políticas públicas voltadas para os quilombolas. Poste no comentário desse post até 1.8 (noturno) e 5.8 (matutino) em grupo ou individualmente. Não esqueça o RA!

16 comentários:

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  2. NOTURNO
    Aline do Nascimento Roldão R.A.21069613
    Camila Pinheiro Munhato R.A.11125011
    Fernanda Souza Santos R.A.21075514
    Gabriela Santos Grippe R.A.21052515
    Isadora Castanhedi R.A.21044713

    “Nem Caroço nem Casca - Uma história de quilombolas”
    O documentário de 2013 foi idealizado e desenvolvido por Will Martins. Nele, conta-se a história de 6 comunidades quilombolas no interior do Maranhão. Martins buscou conhecer cada entrevistado e criou um panorama em que é possível enxergar o macro (o todo da dinâmica quilombola) através do micro (os indivíduos por si só). Cada uma das comunidades constituem um recorte das sociedades quilombolas, ou seja, cada uma delas tem suas peculiaridades e especificidades, sem deixar de fazer parte dos povos quilombos - formados por negros escravizados que conseguiram fugir dos senhores de engenho, afim de lutar por sua liberdade. Esse povos existem até hoje e continuam lutando por seus direitos e sobrevivência. Dessa maneira, percebe-se as variações das interpretações do que seria o coletivo e do poder feminino também.
    O autor dá uma entrevista em que diz que os povos que ele estudou tiveram uma reação muito boa sobre o documentário desenvolvido sobre eles. Um dos Gomes (família exposta no documentário), disse que um homem branco foi lá e contou a história deles para o mundo e ele era muito grato por isso.
    Will deixa claro que buscou, ao invés de traçar uma retratação do passado, mostrar como as coisas são no presente. Numa análise nas lentes de Marc Ferro, em que a produção cinematográfica atua como fonte e objeto para a interpretação da história, pode-se dizer que a zona do não visível é vista através de uma análise prévia do conteúdo ideológico que o filme trás na sua mensagem, uma vez que tudo o que parte de uma produção cultural está inserido no meio social. Na abordagem sobre os quilombolas, nota-se que a produção cinematográfica é intensamente conectada com mecanismos políticos e sociais do momento histórico que se retrata, como previa Ferro. Isso porque, uma vez que a visibilidade do povo quilombola se deu através de um homem branco (o qual ocupa um espaço genuinamente hegemônico), se torna possível enxergar as problemáticas de classe e raça que prevalecem, mesmo que Will Martins tenha o feito com a melhor das intenções. Dificilmente os quilombolas conseguiriam recursos os suficiente para produzir algo dessa qualidade, e mesmo que o fizessem, talvez não conseguissem visibilidade para divulgação do trabalho.
    Assim, chega-se à zona do não visível, que guarda características de uma dada zona da realidade social, a qual nos é transmitida pelo contexto histórico da obra (no caso, contemporânea), pelos métodos de filmagem, etc.

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    1. Boa análise, mas a análise da zona não visível seria observar o que na época de 2013 se faz propício para a filmagem de um documentário como esse. Por exemplo, na década anterior a pauta quilombolas entrar no PPA e em 2004 o lançamento do Programa Brasil Quilombola dando mais visibilidade a essa questão.

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  3. Ingrid Desihiê (21004712)
    Maurício Litwinoff (21007215)
    Yasmin Ligia (21077614)
    Letícia Helena (11070013)

    O documentário sugerido para análise nos mostra seis quilombos que ainda fazem parte da história do nosso país. Tal fato nos chama atenção porque “quilombos” são espaços, comunidades integradas por escravos que conseguiam fugir dos seus senhores de engenho no século XIX. Esses escravos passavam a constituir “lares” escondidos enquanto se posicionavam na luta da resistência contra a situação a que eram submetidos. A imagem do “ser escravo” está longe dos nossos olhos nos dias de hoje, mas a luta pela igualdade ainda é imensa - e isso fica claro nos minutos do vídeo.
    Ao contrário do que pensamos, tratar de quilombos não faz parte do nosso passado ou apenas da antropologia. Tratar sobre esse tema é algo atual, que deve ser analisado e respeitado pelas ciências humanas e sociais. O documentário em questão nos mostra muito isso. O olhar do cineasta deixa claro a importância da troca de informações - não apenas a compreensão acerca da realidade deles, mas o fluxo de conhecimento entre “eles” e “nós”.
    O documentário passa por seis regiões do Maranhão. Logo na primeira delas vemos que em uma primeira aproximação, a identidade tão ligada à Viana parece ter sido esquecida, mas basta um “Pau de Arara” para conduzir o cineasta às comunidades do entorno, onde a cultura quilombola pode ser absorvida em todos os instantes.
    É possível perceber que o cineasta do documentário buscou registrar as identidades da história quilombola por meio das subjetividades narrativas, dos detalhes mínimos da vida daquelas pessoas, no hábito, nas ações que passam “despercebidas” por aqueles que a realizam.
    O nome “nem caroço, nem casca” foi escolhido por conta de um importante traço da cultura quilombola: o coco babaçu. Esse coco possui uma “faixa” entre o caroço e a casca que se chama mesocarpo e é muito rica. É sobre esse ponto que começamos a nossa relação entre o filme e a teoria de Marc Ferro:
    O documentário leva esse nome porque o cineasta quer nos dizer que a parte rica de uma análise não está apenas na origem, ou seja, na semente, e nem mesmo na primeira análise, no imediato. A análise consistente está no que está entre essas camadas - e é isso que ele busca fazer analisando a cultura quilombola. Segundo Marc Ferro, o material cinematográfico e a própria análise deve seguir etapas para que se atinja o não visível, o conteúdo ideológico que o filme busca trazer. Os frutos da produção social fazem parte de um meio social. Os filmes e documentários, por exemplo, são complexos e não deixam de ser influenciados pelos mecanismos políticos, sociais e econômicos.
    Segundo Ferro, a produção cinematográfica seria um agente relacionado diretamente com a produção. Ferro nos diz que precisamos partir de um conteúdo aparente, de uma primeira visão sobre o que é exposto. Após isso, devemos unir essa impressão com a análise do conteúdo, imagens e outros elementos do objeto, sempre buscando uma relação com o contexto histórico em que é produzido. Com isso, chega-se ao que não é percebido à primeira vista. Chega-se ao “não visível”.
    A ideia do autor é trazer para o visível a invisibilidade dos quilombolas. Podemos perceber que eles só são visíveis quando querem retirar desses suas terras. A grande política ao grupo não é vinculada à integração dessa comunidade à sociedade. Eles estão sujeito aos interesses de quem está a sua volta e não possuem vozes para lutar por aqueles que almejam e necessitam.
    O documentário é produzido a partir de uma análise não superficial, mas sim por meio de uma produção que busca “a camada”, como citamos – e sua análise precisa ser realizada até chegarmos ao ponto do “não visível”.

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    2. A metáfora é bonita entre a invisibilidade do quilombo e a zona não visível, mas não contempla o conteúdo do conceito. A zona não visível seria observar o que na época de 2013 se faz propício para a filmagem de um documentário como esse. Por exemplo, na década anterior a pauta quilombolas entrar no PPA e no ano de 2004 o lançamento do Programa Brasil Quilombola dando mais visibilidade a essa questão.

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  4. Joel Teixeira Dos Santos Junior RA:21045314
    Rodney da Cruz Rabelo RA: 21027514

    Resenha sobre o documentário “Quilombo”, de Carlos Diegues.
    O documentário apresenta a organização e o levante negro em Pernambuco, o qual futuramente foi denominado “Quilombo dos Palmares”. Além de focar unicamente nas dificuldades que passam os negros, o documentário apresenta também seus momentos de festas, felicidades e até mesmo suas barganhas com mercenários a serviço dos senhores de engenho da região. No quilombo, as maiores dificuldades se iniciam com a tentativa de acordo dos holandeses para com o Quilombo e o impasse entre Zumbi e Ganga Zumba sobre o acordo citado. Explorando a teoria de Marc Ferro, temos na época do lançamento do documentário (década de 1980) um fortalecimento da imagem de Zumbi como o guerreiro do Quilombo dos Palmares e o fortalecimento de uma demanda a se repensar sobre a imagem da princesa Isabel como “redentora” e como o grande nome da luta contra a escravidão, ambas questões com uma forte pressão do Movimento Negro.
    O documentário retratou a formação e história do primeiro quilombo do Brasil ainda no século XVII, mas a partir dele houve uma luta crescente para a liberdade dos escravos, embora nenhum quilombo viesse a ter o tamanho ou simbolismo que teve o de Palmares. Hoje as comunidades quilombolas ainda estão distribuídas e espalhadas pela nossa extensão territorial em 24 estados, em maioria no Maranhão, Bahia, Pará, Minas Gerais e Pernambuco, e continuam recheadas de história, cultura e religiosidade. Embora seja uma causa de grande destaque na sociedade, as pautas quilombolas entraram no PPA somente nos anos de 2004 a 2007, tendo até agora uma crescente preocupação da administração pública. Como matriz das políticas públicas quilombolas, foi lançado em 2013 o “Programa Brasil Quilombola”, o qual dividia essas políticas em quatro eixos, sendo eles o “Acesso à terra”, “Infraestrutura e qualidade de vida”, “Inclusão produtiva e desenvolvimento local” e “Direitos e Cidadania”, fornecendo-lhes principalmente regularização fundiária, saneamento básico, energia elétrica, o incentivo da agricultura familiar e as cotas para o ingresso às universidades públicas, o acesso às bolsas fornecidas pelo PROUNI e ao financiamento estudantil pelo FIES.

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    1. Excelente resposta, só corrija o ano de lançamento do Programa Brasil Quilombola para 2004.

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  5. Marcelo Pereira Orfão - RA.21058013

    A presente análise baseia-se no filme Quilombo, produção de 1984, com direção e roteiro de Cacá Diegues. Inspirado nos livros de João Felício dos Santos("Ganga Zumba") e Décio de Freitas("Palmares"), o filme traz à luz o imaginário acerca da realidade de um grupo de escravos de um engenho de Pernambuco, em meados de 1650, que rebelam-se e rumam para Quilombo dos Palmares.Uma nação de ex-escravos fugidos que promovem uma resistência ao sistema colonial no Brasil à época, e seu sistema escravagista.O mais notório Quilombo brasileiro - Palmares - é exposto na obra sobre a liderança do príncipe africano Ganga Zumba, que no decorrer da história tem seu comando contestado, por suas posições conciliatórias, por seu herdeiro e afilhado Zumbi, que comandará a resistência do quilombo em combate ao maior exército na história colonial brasileira.
    Em análise em busca da "zona do não-visível" de acordo com a Teoria de Marc Ferro, é possível observar algumas tensões próprias da época com o que o filme dialoga e suas relações entre o projeto ideológico dominante. Em contraste com a cultura dominante da época, determinantemente européia, é perceptível no filme a resistência praticada pelos negros de Palmares através da negação aos símbolos do catolicismo, aos trajes e vestimentas, ao formato de transmissão de cultura e conhecimento, bem como da organização do trabalho e da relação comercial impostas pela cultura dominante. Fatos que de forma sútil são expostos durante a obra cinematográfica. Durante várias passagens do filme é demonstrado o respeito à cultura tradicional africana através da transmissão de conhecimento pelos mais antigos, que valorizam a identificação com suas próprias origens religiosas, culturais e sociais.Uma sociedade paralela com sua hierarquia organizacional, entretanto, com práticas de consulta aos seus membros através de assembléias e reuniões.
    A resistência da comunidade negra representada no filme, retrata o cenário atual das comunidades quilombolas brasileiras no dia de hoje, passados quase quatro séculos ao que reporta o filme.Ao ponto de ainda hoje as comunidades quilombolas encontrarem grandes dificuldades de garantias de acesso à terra, infraestrutura e qualidade de vida,inclusão produtiva e desenvolvimento local, bem como direito e cidadania. Metas hoje alvo de prática e consolidação de políticas públicas do Programa Brasil Quilombola, que desde março de 2004 trabalha com esses eixos principais, com o objetivo de consolidar os marcos da politica de Estado para as áreas quilombolas.

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    1. Boa resposta, mas a zona não visível seria tentar observar elementos no filme que deixam transparecer ideias, valores e crenças da época em que o filme foi produzido, como a valorização do Zumbi, citada por Rodney no post acima.

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  6. Amarilis Marques Lamin 21042113
    Caio Fernando Silva 21018814
    Priscila Testa 21071413

    Filme “Quilombo” - O filme de Carlos Diegues lançado em 1984 apresenta a história da rebelião dos escravos (quilombolas), mais precisamente da colônia gerida por Ganga Zumba e posteriormente pelo conhecido Zumbi dos Palmares. O longa se passa em 1650, principalmente no Engenho Santa Rita e no Quilombo dos Palmares. Trata-se de uma grande produção para a época, com características muito pertinentes ao período em que o fato realmente ocorreu. Os efeitos sonoros e os figurinos, por exemplo, apesar de muitas vezes serem estereotipados, demonstram o grande esforço da organização do filme para atender, nem que seja parcialmente, à realidade.
    Apesar da situação do filme ser antiga, os reflexos daquela época ainda hoje se manifestam e se perpetuam. Os quilombos, como o gerido por Ganga Zumba, eram locais nos quais o povo negro resistia à dominação branca não só fisicamente, mas também culturalmente, ao manter seus dialetos, suas tradições e celebrações. Na época em que o filme foi lançado, apenas 96 anos pós-abolição da escravidão, a situação racial no país ainda se encontrava (e se encontra) em profunda desigualdade e em estado de calamidade.
    Segundo Marc Ferro, os filmes de um modo geral são produtos do momento histórico em que são feitos, e por este motivo estão conectados com o que acontece ao redor. Portanto, não há imparcialidade total ou isenção de viés. No filme Quilombo isso também é perceptível, porque há cenas em que a clara tradição ocidental se deixa transparecer. Pesquisando mais sobre a obra, pudemos identificar que quem produziu o filme foi uma empresa francesa, o que é muito contraditório com a realidade. Mas é interessante perceber como as produtoras brasileiras não se interessam por sua própria história, sua própria trajetória.
    A visão dos quilombos representada no filme é muitas vezes reducionista. Porém é o que já se espera de uma obra que fala de negros, escravos e brasileiros, mas que é dirigida por um diretor branco e produzida por uma empresa oriunda de um país originalmente colonizador. Essa “zona não visível” apreendida no filme se reflete também nas políticas públicas a posteriori. O debate é antigo: Políticas para os negros, porém pensadas, implantadas e avaliadas por brancos.

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    1. a problematização sobre a produtora ser francesa e o filme ser produzido por um branco é válido, mas o que aconteceu (do ponto de vista social, cultural ou político) na época que o filme foi produzido que favoreceu a produção dessa obra?

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  7. O filme mostra o processo de formação e desenvolvimento do Quilombo dos Palmares, a mais conhecida das sociedades quilombolas. O filme foi produzido perto do fim da ditadura militar (1984) quando a população estava em revolta quanto as repressões do governo ditador, recentemente (1978) havia sido criado o Movimento Unificado contra a Discriminação Racial no Brasil que reunia diversos grupos de cultura e representatividade negra lutando contra o racismo (principalmente após o escândalo da prisão e tortura até a morte de um negro pai de família acusado de roubar frutas numa feira). Debates sobre a discriminação e representatividade da população negra estavam explodindo pelo país, inclusive havendo a criação do movimento Feminismo Negro, o filme faz uma exaltação do povo negro, à sua cultura e história africana e luta contra a escravidão, mostrando inclusive os heróis negros da era colonial. Foi a partir dos movimentos negros surgidos nessa época que se desenvolveram todas as políticas públicas e afirmativas que vêm surgindo até hoje para favorecer o povo negro e quilombola, sendo esses últimos inclusive herdeiros da sociedade retratada no filme.

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  8. Gilberto Suzuki
    Alan F. dos Santos

    Traz consigo uma proposta de trazer os recortes do Quilombo dos Palmares, localizado no nordeste do Brasil. Tem-se sua representação na escravidão pré-abolicionista em que sua trama inicia em um engenho canavieiro, ao qual reflete abusos de brancos com negros, a forma de vestimenta dos negros e seus contextos de escravidão. Mostra-se também o tipo de vestimenta que contrasta entre negros e brancos, e até mesmo entre os negros, além do tratamento que os brancos faziam com os negros.
    Assim os personagens presentes naquela cena resolvem caminhar a Palmares. Os personagens demonstram firmeza e conhecimento do fenômeno Palmares no que diz respeito ao abrigo dos negros. Palmares é demonstrada como um espaço exclusivo de negros, onde qualquer outra “raça” (utiliza-se deste termo com o intuito de diferenciação entre negros e não negros) não entraria.
    Um príncipe (Ganga Zumba) que se tornara escravo chega a Palmares junto com um branco pobre e gera reviravolta, tendo inicialmente resistência da líder de Palmares (Acotirene). A fala de Ganga Zumba mostra uma visão de mundo diferente e se destaca em seu argumento “revolucionário” e de viés agregacionista. Este príncipe se torna o líder do quilombo no lugar de Acotirene e demonstra-se a figura de Xangô como sendo o guia de Ganga Zumba. A figura de Xangô, não sei se proposital ou não, traz o orixá de oxalá velho que remete-se a uma entidade carregada de sabedoria. Uma fala marcante foi o conflito pelo milho em que Ganga Zumba mostra uma fala bastante sábia para resolver o impasse “O milho é de quem precisa dele. Nunca vi ninguém dizer ‘meu pedaço de vento’, ‘meu pedaço de nuvem’. O que é do mundo é do mundo. Como a terra não é de ninguém, o que se tira é de todos”. Assim Ganga Zumba traz a figura conciliatória referente aos impasses do Quilombo de Palmares, o mesmo que tenta conciliar com os brancos para não gerar guerra e sempre visando fortalecer a comunidade.
    A figura de Zumbi é bastante interessante, por ser um indivíduo que traz consigo o corpo de conhecimento da igreja católica por ser um coroinha (o próprio Zumbi que fora raptado de uma das comunidades de Palmares) comprado pelo padre da igreja que o chamou de Francisco. A entidade guia de Zumbi é Ogum e isso traz consigo um pouco da característica guerreira e da justiça em que este orixá representa. Esta figura é condizente com a postura tomada quando recebe a figura de Ogum e no conflito entre Zumbi e Ganga Zumba pelo acordo de paz em que Zumbi decide lutar até a morte e condizente com enfrentar Domingo Jorge Velho ao final do filme. Além disso, a figura de Ogum é representada por meio da entrega do facão ao padre de forma amistosa e na decisão de ponderar um ataque a Recife.
    Além da religião retratada, também são retratadas as culturas africanas por meio da vestimenta, medicina, danças, músicas, costumes e a capoeira. Também demonstra as diversas comunidades de indivíduos de acordo com as suas origens, as lideranças de cada grupo dentro de Palmares, as estratégias de guerra e proteção do quilombo por meio dos moradores do local. É figurado também as figuras de Zumbi, Ganga Zumba, Dandara no papel de lideranças.
    Apesar dos diversos cortes cronológicos, o filme consegue trazer a proposta de contar a história do quilombo mais famoso na história brasileira, além de sua resistência. Para tal, tem-se o nome de quilombos as comunidades negras existentes até hoje, ao qual vem trazer a resistência cultural e as políticas estruturais de cada comunidade. O filme, em si, ressalta, por meio do Quilombo de Palmares, a resistência cultural, a valorização e representação da mesma no contexto do indivíduo. A sua resistência como comunidade é retratada no filme com muita alegria pois foi criado um espaço de liberdade destes negros e a valorização de cada indivíduo. Assim o é no contexto político de hoje, ao qual se luta pela sua representação e condições para ter seu espaço, por direito, sendo possuído.

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    1. òtima análise mas faltou a análise da zona não visível (ver resposta de Igor acima).

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