A identidade embora vista como algo positivo na questão de autoconhecimento é mostrada através de outro ângulo por Tomaz Tadeu da Silva, como um fator de exclusão, onde os conceitos de identidade-diferença e inclusão-exclusão estão intimamente ligados. O que é uma verdade. Junto com o nome que se dá a cada identidade vem um rótulo mostrando o que determinado grupo é ou não é, o que ele pode ou não fazer e os direitos que tem ou não. Por outro lado, a definição de uma identidade é importante para dar visibilidade social e política para certas minorias e facilitar sua busca por direitos e inclusão. Se pensarmos, por exemplo, nos cadeirantes, não fosse a união do grupo e a definição da identidade “cadeirante” colocando-os como um grupo que necessita de direitos específicos, seria mais difícil o processo de obtenção de obras de acessibilidade como rampas e elevadores em espaços públicos. Por outro lado, podem ser estudadas maneiras de realizar a inclusão sem a necessidade do rótulo e da visibilidade, como por exemplo, o projeto em andamento na Holanda de incentivo aos pais para não “criarem um armário” em volta de seus filhos ensinando que relacionamentos homossexuais são tão comuns e naturais como os heterossexuais e incentivando-os a trazer o/a namorado/a para casa independente do gênero ou orientação sexual dos mesmos. Essa iniciativa mostra um forte avanço no processo de inclusão sem a necessidade da criação de uma visibilidade ou identidade/rótulo.
A produção da identidade e da diferença é um processo simbólico e discursivo, ligado a relações de poder. O autor mostra como a linguagem, por meio dos signos, não tem em si nenhum valor até que lhe seja atribuída um significado. Aqueles que usam da linguagem e da simbologia para classificar os diferentes grupos sociais são os que têm o poder de incluir e excluir, de definir o normal e o anormal. Essa visão binária, presente em quase todas as áreas da sociedade, limita a análise sobre os respectivos temas e acaba por hierarquizar as relações sociais, onde aqueles com mais poder supervalorizam a sua própria identidade em detrimento da diferença ("nós" e "eles", bem e mal, homem e mulher, heterossexual e homossexual, certo e errado, etc.).
A relação do sujeito consigo traz uma necessidade de identificar-se conduzindo-se a realidade do ser de forma auto-descritiva e trazendo diferenciação entre os sujeitos. Isso acarreta em um único "eu sou" que vem acoplado com diversos "nãos" trazendo consigo a organização de grupos e a relação entre eles. Um indivíduo em sua afirmação traz estereótipos e outras afirmações que podem identificar também as características de um grupo. Afirmar-se homem traz os pesos colocados pela sociedade que enquadrariam-se a homens (“coisas de homem”) e que difere do ser mulher que se coloca outras micro-afirmações, que também difere da identidade de outros grupos como transexuais, transvestidos, lésbicas, gays, bissexuais, entre outras identidades. Deste mesmo modo dizer-se branco difere de ser negro, amarelo, “pardo”. Que ser “cego” difere de um não cego. Entende-se que a formação de uma identidade tramita em diversos grupos que formam o indivíduo, trazendo-se os “nãos”. Essa diferenciação entre os indivíduos trazem a identidade de uma pessoa e a diferença com outras pessoas. A relação de poder gera inclusão e exclusão de grupos, demarcação de fronteiras entre os indivíduos, classificação de grupos e normatização. O ato de se identificar está intimamente ligado e induz a estas relações trazendo como referencial o “eu” em contraposição ao “outro”. Não faria sentido situar o “eu” sem haver o “outro” e não é possível haver o “outro” sem haver primeiramente o “um”. Deste modo é possível entender como que o autor identifica e diferencia a pessoa, trazendo-se o conceito abstrato da comparação como sendo única e exclusivamente social. Discordo em um ponto, até o momento, quando se traz o conceito social como sendo o gestor das relações, já que em minha concepção existem diferenças biológicas que trazem essas diferenciações. Um exemplo disso é a relação e desenvolvimento biológico entre um homem e uma mulher, já que possuem massas magras e gordas em quantidades diferentes, hormônios e relações corporais diferentes (por exemplo o corpo da mulher ter seu ciclo menstrual que está atrelado a preparação do corpo a fertilização e acomodação a uma gestação, independente de querer ou não ter seu momento de gestação), cognições e habilidades, entre outros. Questões biológicas trazem identidades e também, pensando em planejamento de políticas públicas para grupos, são objetos de discussão de identidade. Assim transtorno de identidade a um transexual é objeto de diferenciação e necessita-se de acomodação biológica para ser resolvido, além de reposições hormonais. Em geral o artigo traz uma visão interessante e um novo olhar para as identidades, sendo ele bastante feliz em suas colocações, trazendo consigo a necessidade de focar nas relações sociais que trazem estes olhares.
Gilberto, o problema é o quanto esse biológico pode ser determinante de comportamentos, atitudes em relação ao indivíduo, excluindo-o da sua liberdade de ser quem ele é. Válida a análise e a problematização.
Turma A Noturno Grupo: Camila P. Munhato (11125011), Gabriela S. Grippe (21052515), Lukas Correia A. Silva (21038313)
A identidade e a diferença são criações culturais que marcam a vida em sociedade interligadas, uma vez que não existe identidade se não existir diferença, e ambas estão sujeitas, em sua definição (discursiva e linguística) a relações de poder desequilibradas, assimétricas, o que por consequência são conceitos incapazes de coexistirem harmoniosamente, impondo sempre disputas de hierarquia entre si.
Além disso, as disputas por identidade estão diretamente ligadas a obtenção e manutenção de bens sociais, geralmente privilegiando o lado para o qual pende o desequilíbrio entre identidades/diferenças. Para ilustrar isso, o autor traz à mesa a problemática do binarismo, em que numa colocação binária um dos termos sempre recebe valor positivo e o outro, negativo (bem e mal, branco e preto, etc)
Assim, ao questionar identidade e diferença como relações de poder significa problematizar os binarismo envolvidos nessa estrutura - tais como masculino/feminino, branco/negro, etc - pois os mesmos além de trazer uma conotação positiva pra um e negativa pra outro, ignora os hibridismos e miscigenações.
Partindo desse pressuposto passamos a enxergar identidades hegemônicas que são vistas como 'normais' e que, consequentemente, tornam as demais 'anormais'. Com isso vê-se como a identidade tem o poder de inclusão é exclusão (o "nós" e o "eles").
Dentre classificações, diferenciações e demais distinções dentro do aspecto de alguma forma de identidade social, sempre há uma definição secundária de posição dentro de uma hierarquia ou pirâmide social, como uma persistente aparição dicotômica já implícita entre as diversas características de formação identitária, a qual indica a posição do indivíduo dentro de uma hierarquia social mediante suas características que podem ser consideradas inclusivas ou exclusivas, apresentando assim uma escala de poder. Poder definir coloca o indivíduo nos mais altos patamares dessa escala, enquanto somente ser classificado já o coloca nos patamares mais inferiores, segundo o pensamento do autor. Muito além das características dicotômicas ou binárias, há também as “subcategorias”, onde não somente se encontra aquilo que está definido, mas as novas definições que não são exploradas, como cada pessoa se considera. Entre o branco e o negro há um longo degradê, da mesma forma que entre o homem e a mulher há uma série de denominações dentre orientação sexual e forma física. O binário precisa ser desconstruído da mesma forma em que o leque de denominações identitárias necessita ser aberto.
Por ser produção cultural e social, as questões de identidade e diferença, bem como outras formas de classificação, faz com que nos deparemos com erros tanto teóricos quanto práticos. O ponto de vista apresentado por Tomaz apresenta o perigo que é classificar a partir do ser e não ser, pois ver esse tema como uma produção baseada em que "alguém considera tal coisa ou nega outra coisa", não traz o produto de diferentes culturas como um concenso ou um diálogo e sim como uma relação de poder; nisto está incluído o incluir/excluir, demarcar fronteiras, normalizar, classificar. Em todo esse contexto, é atribuida à linguagem o sistema de significação, é por meio dessa representação que a identidade e a diferença passam a existir. O autor traz a tona um exemplo, o do binarismo, onde as ideias em torno da organização deste é passível que discussão e reformulações pois é cercado de falhas e consequentemente problemas pois ao dividir e classificar, ocorre uma hierarquia onde são atribuídos valores aos grupos classificados, em alguns casos injustos, errôneos e que constróem toda uma idéia de ódio, desvalorização ou vangloriação atrelados aos grupos. E com toda essa discussão, visa-se que há muito mais a se discutir e contribuir sobre as questões de multiculturalismo e de diferença na problematização e questionamento acerca do tema, do que na limitação de tratar o assunto com apenas perspectivas de tolerância e respeito.
Turma A Noturno Grupo: Camila P. Munhato (11125011), Gabriela S. Grippe (21052515), Lukas Correia A. Silva (21038313)
A identidade e a diferença são criações culturais que marcam a vida em sociedade interligadas, uma vez que não existe identidade se não existir diferença, e ambas estão sujeitas, em sua definição (discursiva e linguística) a relações de poder desequilibradas, assimétricas, o que por consequência são conceitos incapazes de coexistirem harmoniosamente, impondo sempre disputas de hierarquia entre si.
Além disso, as disputas por identidade estão diretamente ligadas a obtenção e manutenção de bens sociais, geralmente privilegiando o lado para o qual pende o desequilíbrio entre identidades/diferenças. Para ilustrar isso, o autor traz à mesa a problemática do binarismo, em que numa colocação binária um dos termos sempre recebe valor positivo e o outro, negativo (bem e mal, branco e preto, etc)
Assim, ao questionar identidade e diferença como relações de poder significa problematizar os binarismo envolvidos nessa estrutura - tais como masculino/feminino, branco/negro, etc - pois os mesmos além de trazer uma conotação positiva pra um e negativa pra outro, ignora os hibridismos e miscigenações.
Partindo desse pressuposto passamos a enxergar identidades hegemônicas que são vistas como 'normais' e que, consequentemente, tornam as demais 'anormais'. Com isso vê-se como a identidade tem o poder de inclusão é exclusão (o "nós" e o "eles").
A identidade e a diferença são indivisíveis; uma não pode existir sem a outra. Ambas são provenientes da linguagem, e através dela é que determinamos tanto a identidade quanto a diferença. A identidade, além de estar conectada a estruturas de discussão e narração, também se conecta com relações de poder.
Tomaz Tadeu da Silva apresenta em seu texto três estratégias que aparecem quando os conceitos (identidade e diferença) são vistos como transversais. As estratégias são as seguintes:
Liberal: incita-se a tolerância e o respeito para com a diversidade cultural. Porém, tal estratégia não apresenta a identidade e a diferença como relações de poder e como criações culturais.
Terapêutica: a hipótese apresentada é a mesma da estratégia acima, mas aqui a repulsão pelo Outro é de ordem psicológica. Por exemplo: o Eu rejeita o Outro por, possivelmente, no passado, ter sofrido algum tipo de discriminação e, por isso, se propõe “tratar” esse “eu” para que ele mude seus pensamentos e modo de agir.
Por fim, a terceira e última estratégia sugere que se exponha aos alunos uma visão superficial de outras culturas. Aqui, o Outro é mostrado como curioso e diferente, exótico, fazendo com que não se questione as relações de poder existentes, substanciando a categoria do "Outro" em termos de curiosidade, visto que esta já é saturada.
A partir do texto e do que debatemos em sala, identificamos que conceitos como identidade e diferença são criações estruturadas pela história cultural que marca a vida em sociedade. Identidade e diferença são criações interligadas e fazem parte de um constructo de relações de poder assimétricas e desequilibradas: a identidade é vista, a partir da óptica de Tomaz Tadeu, como um fator de exclusão baseado na diferença. A relação binária existente não apenas no nosso vocabulário, mas na nossa sociedade, fica evidente quando pensamos isso. O binarismo está presente em casa rótulo que damos às pessoas: preto e branco; pobre e rico; nós e eles; dependente e independente; os que podem fazer algo e os que não podem fazer algo; homens e mulheres, etc. De outra maneira, devemos enxergar a identidade como ferramenta para lutas. É a sua definição que possibilita a visibilidade social e política para grupos “minoritários” – e é a partir dessa visibilidade que os direitos vão sendo conquistados.
Em seu ensaio, Silva problematiza conceitos que nas últimas décadas foram muito utilizados na pedagogia para a criação de um ensino que abordasse o multiculturalismo. Esses conceitos são a identidade e a diferença. Sua abordagem trás a diferença de unir esses dois conceitos de forma dependente mesmo que para construir uma oposição. Assim, não haveria identidade alguma se as diferenças não existissem. Como essas existem, a humanidade abriga grupos humanos com suas especificidades, com suas identidades únicas.
Nesse ensaio também é evidenciada a importância da linguagem no processo de criação da diferença e da identidade. Ela possui signos que só fazem sentido se colocados em um contexto maior de modo dependente de outros signos com fonética e significados próprios.
Também sobre a linguagem, Derrida é lembrado ao pontuar que os signos não são os objetos em si, mas apenas seus representantes. No entanto, apesar de não ser o objeto ao qual remete, por conta da aprendizagem da língua, o objeto se faz presente mesmo que em memória quando o mencionamos. Esta é a "metafísica da presença".
A identidade e a diferença são totalmente dependentes desses signos linguísticos para existirem, mas é importante atentar para o processo de formação dos signos, que não está descolado das sociedades, das suas crenças e hierarquias. Há, portanto, uma relação de imposição de um viés de pensamento que cria toda a corrente de significações dos signos e que pode ser derrotado futuramente por outros vieses que almejam o seu lugar privilegiado. Assim, a existência da diferença e da identidade é permeada por classificações cujas mais importantes são as binárias, pois acaba por denotar a identidade perfeita em oposição a uma secundária.
No texto de Tomaz, torna-se mais que clara a ideia de que não é possível separa a identidade da diferença. O nascimento desses conceitos e a vivência dessas ações aconteceram em paralelo e ao mesmo tempo. A não identificação é se identificar como diferente; agir com diferença é não ser identificado como pertencente (a um grupo, a um tipo, como um membro de algo). Contudo, essa divisão de mundo em ser ou não ser acabou enriquecendo fortes barreiras que oprimem as diversidades. Não pertencer a um grupo é uma forma de identificar-se como "os outros". Eleva-se a ideia de que existem nós e eles, os bons e os maus, o branco e o preto. Se ele não for como nós, é como eles, os outros, os ruins, os piores. Essa linha de raciocínio errônea vendou a sociedade para a realidade da existência de um número muito maior de grupo, de diversidade, de identidades, de culturas. A segmentação entre sim e não forçou essa ideia, e essa ideia é a base para o preconceito, esteja ele vestido de racismo, machismo, xenofobia, homofobia ou qualquer outra forma de oprimir "os outros". Em linhas diretas, a exaltação da maioria acaba por ser o contraste com a diferença das minorias, e a incessável luta que vive hoje é reflexo daqueles que não se encaixam no padrão.
A partir da leitura de "A produção social da identidade e da diferença" de Tomaz Tadeu da Silva, é possível entender que identidade e diferença são conceitos indissociáveis, através dos quais a sociedade se divide em grupos, muitas vezes na forma "nós e eles" como fator excludente de segregação entre as partes, a priori a diferenciação em grupos não implica negativas, uma vez que é desta forma que as pessoas reconhecem suas similaridades com aquele, e diferenças com o outro, fator importante para construção das identidades dos grupos oprimidos dentro da geometria de poder, aqueles que tem liberdades removidas por não serem dotados das mesmas características que o grupo dominante. Porém, o risco que se toma por endossar as separações entre "nós e eles" é de através as generalizações construir símbolos e signos que associe o outro a negatividades, sempre através de uma visão maniqueísta separando os grupos em bom mal,redundando num binarismo que não permite classes intermediárias, e dessa forma, o outro passa a ser enxergado como naturalmente inferior, onde no limite, deve ser exterminado. Para o próprio autor é importante reconhecer as diferenças e que se estabeleçam as identidades, mas que fuja dos binarismos e adote posturas mais plurais, que valorizem a diversidade e respeite o outro
A identidade embora vista como algo positivo na questão de autoconhecimento é mostrada através de outro ângulo por Tomaz Tadeu da Silva, como um fator de exclusão, onde os conceitos de identidade-diferença e inclusão-exclusão estão intimamente ligados. O que é uma verdade. Junto com o nome que se dá a cada identidade vem um rótulo mostrando o que determinado grupo é ou não é, o que ele pode ou não fazer e os direitos que tem ou não. Por outro lado, a definição de uma identidade é importante para dar visibilidade social e política para certas minorias e facilitar sua busca por direitos e inclusão. Se pensarmos, por exemplo, nos cadeirantes, não fosse a união do grupo e a definição da identidade “cadeirante” colocando-os como um grupo que necessita de direitos específicos, seria mais difícil o processo de obtenção de obras de acessibilidade como rampas e elevadores em espaços públicos. Por outro lado, podem ser estudadas maneiras de realizar a inclusão sem a necessidade do rótulo e da visibilidade, como por exemplo, o projeto em andamento na Holanda de incentivo aos pais para não “criarem um armário” em volta de seus filhos ensinando que relacionamentos homossexuais são tão comuns e naturais como os heterossexuais e incentivando-os a trazer o/a namorado/a para casa independente do gênero ou orientação sexual dos mesmos. Essa iniciativa mostra um forte avanço no processo de inclusão sem a necessidade da criação de uma visibilidade ou identidade/rótulo.
ResponderExcluirExcelente análise.
ExcluirA produção da identidade e da diferença é um processo simbólico e discursivo, ligado a relações de poder. O autor mostra como a linguagem, por meio dos signos, não tem em si nenhum valor até que lhe seja atribuída um significado. Aqueles que usam da linguagem e da simbologia para classificar os diferentes grupos sociais são os que têm o poder de incluir e excluir, de definir o normal e o anormal. Essa visão binária, presente em quase todas as áreas da sociedade, limita a análise sobre os respectivos temas e acaba por hierarquizar as relações sociais, onde aqueles com mais poder supervalorizam a sua própria identidade em detrimento da diferença ("nós" e "eles", bem e mal, homem e mulher, heterossexual e homossexual, certo e errado, etc.).
ResponderExcluirGrupo: Caio Fernando, Silas e Jonathan (Noturno).
Excelente análise.
ExcluirA relação do sujeito consigo traz uma necessidade de identificar-se conduzindo-se a realidade do ser de forma auto-descritiva e trazendo diferenciação entre os sujeitos. Isso acarreta em um único "eu sou" que vem acoplado com diversos "nãos" trazendo consigo a organização de grupos e a relação entre eles. Um indivíduo em sua afirmação traz estereótipos e outras afirmações que podem identificar também as características de um grupo. Afirmar-se homem traz os pesos colocados pela sociedade que enquadrariam-se a homens (“coisas de homem”) e que difere do ser mulher que se coloca outras micro-afirmações, que também difere da identidade de outros grupos como transexuais, transvestidos, lésbicas, gays, bissexuais, entre outras identidades. Deste mesmo modo dizer-se branco difere de ser negro, amarelo, “pardo”. Que ser “cego” difere de um não cego. Entende-se que a formação de uma identidade tramita em diversos grupos que formam o indivíduo, trazendo-se os “nãos”. Essa diferenciação entre os indivíduos trazem a identidade de uma pessoa e a diferença com outras pessoas. A relação de poder gera inclusão e exclusão de grupos, demarcação de fronteiras entre os indivíduos, classificação de grupos e normatização. O ato de se identificar está intimamente ligado e induz a estas relações trazendo como referencial o “eu” em contraposição ao “outro”. Não faria sentido situar o “eu” sem haver o “outro” e não é possível haver o “outro” sem haver primeiramente o “um”. Deste modo é possível entender como que o autor identifica e diferencia a pessoa, trazendo-se o conceito abstrato da comparação como sendo única e exclusivamente social.
ResponderExcluirDiscordo em um ponto, até o momento, quando se traz o conceito social como sendo o gestor das relações, já que em minha concepção existem diferenças biológicas que trazem essas diferenciações. Um exemplo disso é a relação e desenvolvimento biológico entre um homem e uma mulher, já que possuem massas magras e gordas em quantidades diferentes, hormônios e relações corporais diferentes (por exemplo o corpo da mulher ter seu ciclo menstrual que está atrelado a preparação do corpo a fertilização e acomodação a uma gestação, independente de querer ou não ter seu momento de gestação), cognições e habilidades, entre outros. Questões biológicas trazem identidades e também, pensando em planejamento de políticas públicas para grupos, são objetos de discussão de identidade. Assim transtorno de identidade a um transexual é objeto de diferenciação e necessita-se de acomodação biológica para ser resolvido, além de reposições hormonais.
Em geral o artigo traz uma visão interessante e um novo olhar para as identidades, sendo ele bastante feliz em suas colocações, trazendo consigo a necessidade de focar nas relações sociais que trazem estes olhares.
Gilberto Y. Suzuki
Gilberto, o problema é o quanto esse biológico pode ser determinante de comportamentos, atitudes em relação ao indivíduo, excluindo-o da sua liberdade de ser quem ele é. Válida a análise e a problematização.
ExcluirTurma A Noturno
ResponderExcluirGrupo: Camila P. Munhato (11125011), Gabriela S. Grippe (21052515), Lukas Correia A. Silva (21038313)
A identidade e a diferença são criações culturais que marcam a vida em sociedade interligadas, uma vez que não existe identidade se não existir diferença, e ambas estão sujeitas, em sua definição (discursiva e linguística) a relações de poder desequilibradas, assimétricas, o que por consequência são conceitos incapazes de coexistirem harmoniosamente, impondo sempre disputas de hierarquia entre si.
Além disso, as disputas por identidade estão diretamente ligadas a obtenção e manutenção de bens sociais, geralmente privilegiando o lado para o qual pende o desequilíbrio entre identidades/diferenças. Para ilustrar isso, o autor traz à mesa a problemática do binarismo, em que numa colocação binária um dos termos sempre recebe valor positivo e o outro, negativo (bem e mal, branco e preto, etc)
Assim, ao questionar identidade e diferença como relações de poder significa problematizar os binarismo envolvidos nessa estrutura - tais como masculino/feminino, branco/negro, etc - pois os mesmos além de trazer uma conotação positiva pra um e negativa pra outro, ignora os hibridismos e miscigenações.
Partindo desse pressuposto passamos a enxergar identidades hegemônicas que são vistas como 'normais' e que, consequentemente, tornam as demais 'anormais'. Com isso vê-se como a identidade tem o poder de inclusão é exclusão (o "nós" e o "eles").
Excelente análise!
ExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirRodney da Cruz Rabelo, 21027514 - diurno
ResponderExcluirDentre classificações, diferenciações e demais distinções dentro do aspecto de alguma forma de identidade social, sempre há uma definição secundária de posição dentro de uma hierarquia ou pirâmide social, como uma persistente aparição dicotômica já implícita entre as diversas características de formação identitária, a qual indica a posição do indivíduo dentro de uma hierarquia social mediante suas características que podem ser consideradas inclusivas ou exclusivas, apresentando assim uma escala de poder. Poder definir coloca o indivíduo nos mais altos patamares dessa escala, enquanto somente ser classificado já o coloca nos patamares mais inferiores, segundo o pensamento do autor. Muito além das características dicotômicas ou binárias, há também as “subcategorias”, onde não somente se encontra aquilo que está definido, mas as novas definições que não são exploradas, como cada pessoa se considera. Entre o branco e o negro há um longo degradê, da mesma forma que entre o homem e a mulher há uma série de denominações dentre orientação sexual e forma física. O binário precisa ser desconstruído da mesma forma em que o leque de denominações identitárias necessita ser aberto.
Excelente análise, muito boa e ilustrativa a figura do "longo degradê", parabéns!
ExcluirLilian Prates - RA: 21049915 - Matutino.
ResponderExcluirPor ser produção cultural e social, as questões de identidade e diferença, bem como outras formas de classificação, faz com que nos deparemos com erros tanto teóricos quanto práticos. O ponto de vista apresentado por Tomaz apresenta o perigo que é classificar a partir do ser e não ser, pois ver esse tema como uma produção baseada em que "alguém considera tal coisa ou nega outra coisa", não traz o produto de diferentes culturas como um concenso ou um diálogo e sim como uma relação de poder; nisto está incluído o incluir/excluir, demarcar fronteiras, normalizar, classificar. Em todo esse contexto, é atribuida à linguagem o sistema de significação, é por meio dessa representação que a identidade e a diferença passam a existir.
O autor traz a tona um exemplo, o do binarismo, onde as ideias em torno da organização deste é passível que discussão e reformulações pois é cercado de falhas e consequentemente problemas pois ao dividir e classificar, ocorre uma hierarquia onde são atribuídos valores aos grupos classificados, em alguns casos injustos, errôneos e que constróem toda uma idéia de ódio, desvalorização ou vangloriação atrelados aos grupos.
E com toda essa discussão, visa-se que há muito mais a se discutir e contribuir sobre as questões de multiculturalismo e de diferença na problematização e questionamento acerca do tema, do que na limitação de tratar o assunto com apenas perspectivas de tolerância e respeito.
Excelente análise!
ExcluirTurma A Noturno
ResponderExcluirGrupo: Camila P. Munhato (11125011), Gabriela S. Grippe (21052515), Lukas Correia A. Silva (21038313)
A identidade e a diferença são criações culturais que marcam a vida em sociedade interligadas, uma vez que não existe identidade se não existir diferença, e ambas estão sujeitas, em sua definição (discursiva e linguística) a relações de poder desequilibradas, assimétricas, o que por consequência são conceitos incapazes de coexistirem harmoniosamente, impondo sempre disputas de hierarquia entre si.
Além disso, as disputas por identidade estão diretamente ligadas a obtenção e manutenção de bens sociais, geralmente privilegiando o lado para o qual pende o desequilíbrio entre identidades/diferenças. Para ilustrar isso, o autor traz à mesa a problemática do binarismo, em que numa colocação binária um dos termos sempre recebe valor positivo e o outro, negativo (bem e mal, branco e preto, etc)
Assim, ao questionar identidade e diferença como relações de poder significa problematizar os binarismo envolvidos nessa estrutura - tais como masculino/feminino, branco/negro, etc - pois os mesmos além de trazer uma conotação positiva pra um e negativa pra outro, ignora os hibridismos e miscigenações.
Partindo desse pressuposto passamos a enxergar identidades hegemônicas que são vistas como 'normais' e que, consequentemente, tornam as demais 'anormais'. Com isso vê-se como a identidade tem o poder de inclusão é exclusão (o "nós" e o "eles").
A identidade e a diferença são indivisíveis; uma não pode existir sem a outra. Ambas são provenientes da linguagem, e através dela é que determinamos tanto a identidade quanto a diferença. A identidade, além de estar conectada a estruturas de discussão e narração, também se conecta com relações de poder.
ResponderExcluirTomaz Tadeu da Silva apresenta em seu texto três estratégias que aparecem quando os conceitos (identidade e diferença) são vistos como transversais. As estratégias são as seguintes:
Liberal: incita-se a tolerância e o respeito para com a diversidade cultural. Porém, tal estratégia não apresenta a identidade e a diferença como relações de poder e como criações culturais.
Terapêutica: a hipótese apresentada é a mesma da estratégia acima, mas aqui a repulsão pelo Outro é de ordem psicológica. Por exemplo: o Eu rejeita o Outro por, possivelmente, no passado, ter sofrido algum tipo de discriminação e, por isso, se propõe “tratar” esse “eu” para que ele mude seus pensamentos e modo de agir.
Por fim, a terceira e última estratégia sugere que se exponha aos alunos uma visão superficial de outras culturas. Aqui, o Outro é mostrado como curioso e diferente, exótico, fazendo com que não se questione as relações de poder existentes, substanciando a categoria do "Outro" em termos de curiosidade, visto que esta já é saturada.
Aline B. Silva - RA 21080413 - Manhã.
Boa análise, faltou falar dos binarismos e das relações de poder presente entre tais definições.
ExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirA partir do texto e do que debatemos em sala, identificamos que conceitos como identidade e diferença são criações estruturadas pela história cultural que marca a vida em sociedade. Identidade e diferença são criações interligadas e fazem parte de um constructo de relações de poder assimétricas e desequilibradas: a identidade é vista, a partir da óptica de Tomaz Tadeu, como um fator de exclusão baseado na diferença. A relação binária existente não apenas no nosso vocabulário, mas na nossa sociedade, fica evidente quando pensamos isso. O binarismo está presente em casa rótulo que damos às pessoas: preto e branco; pobre e rico; nós e eles; dependente e independente; os que podem fazer algo e os que não podem fazer algo; homens e mulheres, etc. De outra maneira, devemos enxergar a identidade como ferramenta para lutas. É a sua definição que possibilita a visibilidade social e política para grupos “minoritários” – e é a partir dessa visibilidade que os direitos vão sendo conquistados.
ResponderExcluirIngrid Desihiê Antoniori - Noturno
RA: 21004712
Em seu ensaio, Silva problematiza conceitos que nas últimas décadas foram muito utilizados na pedagogia para a criação de um ensino que abordasse o multiculturalismo. Esses conceitos são a identidade e a diferença. Sua abordagem trás a diferença de unir esses dois conceitos de forma dependente mesmo que para construir uma oposição. Assim, não haveria identidade alguma se as diferenças não existissem. Como essas existem, a humanidade abriga grupos humanos com suas especificidades, com suas identidades únicas.
ResponderExcluirNesse ensaio também é evidenciada a importância da linguagem no processo de criação da diferença e da identidade. Ela possui signos que só fazem sentido se colocados em um contexto maior de modo dependente de outros signos com fonética e significados próprios.
Também sobre a linguagem, Derrida é lembrado ao pontuar que os signos não são os objetos em si, mas apenas seus representantes. No entanto, apesar de não ser o objeto ao qual remete, por conta da aprendizagem da língua, o objeto se faz presente mesmo que em memória quando o mencionamos. Esta é a "metafísica da presença".
A identidade e a diferença são totalmente dependentes desses signos linguísticos para existirem, mas é importante atentar para o processo de formação dos signos, que não está descolado das sociedades, das suas crenças e hierarquias. Há, portanto, uma relação de imposição de um viés de pensamento que cria toda a corrente de significações dos signos e que pode ser derrotado futuramente por outros vieses que almejam o seu lugar privilegiado. Assim, a existência da diferença e da identidade é permeada por classificações cujas mais importantes são as binárias, pois acaba por denotar a identidade perfeita em oposição a uma secundária.
Stefanie Gomes de Mello
RA: 21014113
Boa a análise, faltou falar das relações de poder presentes nesses sistemas de definição.
ExcluirNo texto de Tomaz, torna-se mais que clara a ideia de que não é possível separa a identidade da diferença. O nascimento desses conceitos e a vivência dessas ações aconteceram em paralelo e ao mesmo tempo. A não identificação é se identificar como diferente; agir com diferença é não ser identificado como pertencente (a um grupo, a um tipo, como um membro de algo). Contudo, essa divisão de mundo em ser ou não ser acabou enriquecendo fortes barreiras que oprimem as diversidades. Não pertencer a um grupo é uma forma de identificar-se como "os outros". Eleva-se a ideia de que existem nós e eles, os bons e os maus, o branco e o preto. Se ele não for como nós, é como eles, os outros, os ruins, os piores. Essa linha de raciocínio errônea vendou a sociedade para a realidade da existência de um número muito maior de grupo, de diversidade, de identidades, de culturas. A segmentação entre sim e não forçou essa ideia, e essa ideia é a base para o preconceito, esteja ele vestido de racismo, machismo, xenofobia, homofobia ou qualquer outra forma de oprimir "os outros". Em linhas diretas, a exaltação da maioria acaba por ser o contraste com a diferença das minorias, e a incessável luta que vive hoje é reflexo daqueles que não se encaixam no padrão.
ResponderExcluirBoa a análise, faltou analisar a necessidade de transcender esses binarismos.
ExcluirMauricio Litwinoff Abib 21007215
ResponderExcluirA partir da leitura de "A produção social da identidade e da diferença" de Tomaz Tadeu da Silva, é possível entender que identidade e diferença são conceitos indissociáveis, através dos quais a sociedade se divide em grupos, muitas vezes na forma "nós e eles" como fator excludente de segregação entre as partes, a priori a diferenciação em grupos não implica negativas, uma vez que é desta forma que as pessoas reconhecem suas similaridades com aquele, e diferenças com o outro, fator importante para construção das identidades dos grupos oprimidos dentro da geometria de poder, aqueles que tem liberdades removidas por não serem dotados das mesmas características que o grupo dominante. Porém, o risco que se toma por endossar as separações entre "nós e eles" é de através as generalizações construir símbolos e signos que associe o outro a negatividades, sempre através de uma visão maniqueísta separando os grupos em bom mal,redundando num binarismo que não permite classes intermediárias, e dessa forma, o outro passa a ser enxergado como naturalmente inferior, onde no limite, deve ser exterminado.
Para o próprio autor é importante reconhecer as diferenças e que se estabeleçam as identidades, mas que fuja dos binarismos e adote posturas mais plurais, que valorizem a diversidade e respeite o outro
excelente!
Excluir